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 PESQUISA
Direitos do Capital X Direitos Humanos
/publicado em 3/2/2010 17:49:17 
Direitos do Capital X Direitos Humanos

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Por: Heitor Reis (*)

Sem nenhuma sombra de dúvidas, aqueles que concentram os Direitos do Capital são também seres humanos, e, como todos os demais, também dignos de usufruírem o direito a eles inerente. Portanto, melhor seria dizermos “Direitos dos Capitalistas”, mais exatamente, “Direitos dos Grandes Capitalistas contra os Direitos Humanos dos demais”. Ou o privilégio do capitalista sobre o trabalhador.

Podemos analisar a questão do desrespeito aos Direitos Humanos sob várias óticas, uma das quais vou aplicar aqui, com base na tabela que se segue, onde pretendo cruzar todas as possibilidades que percebo, relacionando autores e vítimas que se envolvem sob este tema.

CRIMES CONTRA OS DIREITOS HUMANOS AUTOR VÍTIMA INDIV GRUPO CLASSE ESTADO Rica Média Pobre Local Estrang INDIV

GRUPO

CLASSE

· Rica
X

· Média

X

· Pobre

ESTADO

· Local

X

· Estrangeiro

X

Ainda que tudo seja possível e realmente acontecem crimes em todos os cruzamentos nos níveis acima descriminados, julgo mais relevante, volumoso e espetacularmente danoso, o crime que a classe rica comete contra os mais pobres, mais exatamente, contra o operariado. Tanto diretamente, através de suas grandes empresas nacionais e estrangeiras, ou através da privatização do Estado (local ou não), feita via financiamento de campanhas políticas ou aliciamento de funcionários teoricamente públicos.

Para assegurar ou elevar a concentração da riqueza em suas mãos, a classe mais privilegiada economicamente, tendo como seu capataz a grande maioria da classe média, domina a quase toda a população através do sistema de ensino e de comunicação, ambos teoricamente sob responsabilidade do Estado, todos a seu serviço.

Portanto, agora que aflorou a discussão do PNDH-3 - Programa Nacional de Direitos Humanos, em sua terceira versão, tendo com um de seus pontos mais condenados pela direita, os crimes cometidos durante a chamada Ditadura Militar, na realidade uma Ditadura Civil, realizada através dos militares, os verdadeiros responsáveis e beneficiários dos crimes cometidos pelas Forças Armadas, sequer são mencionados. E eles são os mesmos que hoje financiam a campanha da grande maioria dos políticos eleitos, dentro do que se convencionou chamar erroneamente de “redemocratização” do Estado brasileiro, o qual jamais foi uma democracia de fato. Nem se tornou uma posteriormente à 1985.

Uma das poucas pessoas ainda lúcidas neste país afirma que o “Estado brasileiro é autoritário e oligárquico, necessitando urgentemente ser democratizado” (Marilena Chauí, filósofa da USP e membro da Direção Nacional do PT).

João Pedro Stédile e Dom Mauro Morelli defendem que o presidente da República (na realidade, uma “reparticular”), é apenas o motorista da elite. Qualquer um deles.

Segue gráfico do DIEESE que demonstra onde não foi parar a riqueza produzida nas últimas décadas. Assim, 1 % da população abocanhou 50 % do patrimônio nacional e 10 % usurpou 75 %. Enquanto a renda por pessoa crescia, o salário do trabalhador diminuía para um quarto de seu valor em 1964. Já nos últimos anos, podemos constatar uma lenta compensação deste estrago, proporcional à capacidade da classe trabalhadora se organizar e lutar por seus direitos.



Infelizmente, falta aos operários a disposição dos capitalistas em se organizar, disputar o poder e o mercado (por exemplo, em cooperativas) com eles. Correr o risco de sair do comodismo de ser mero material de consumo para a engrenagem do sistema opressor. É mais fácil culpar os patrões por sua própria incompetência.

Predomina a alienação, o comodismo e o conservadorismo entre o operariado, parcialmente justificados por séculos de dogmatismo religioso e político, aliados a um sistema de ensino sem qualidade e de comunicação que lhes escraviza a mente analfabeta e semi-analfabeta.

E, aqui, entramos em outro tema que está incomodando também a classe dominante, por ser abordado no PNDH-3: a democratização da comunicação. Certamente, temem eles que as teses que não conseguiram impedir na I Confecom (apesar do privilégio de terem 40 % dos delegados) possam vir a ser incorporadas durante o processo de regulamentação do decreto presidencial.

A desgraça ocorrida no Haiti teve como fato positivo lembrar a humanidade que, 200 anos atrás, escravos construíram o primeiro país negro livre do planeta, exemplo para os demais. Tal fato foi uma afronta aos donos do mundo, os quais se revezaram no processo de destruir tamanha ousadia. Podemos dizer que o Haiti foi uma Cuba que não deu certo e que abriu caminho para iniciativas semelhantes.

No Instituto Helena Greco (BH-MG), encontrei uma caricatura (“charge”) do Nilson afixada em uma parede. Ali, um entrevistador pergunta a um general porque ainda estão no poder os mesmos políticos que apoiavam a Ditadura Pseudomilitar? Ele responde que este foi mais um golpe que eles, os militares, patrocinaram. Melhor seria dizer que foi mais um golpe que os grandes capitalistas proporcionaram. Os verdadeiros mandantes dos crimes cometidos pelos milicos. E pelos cometidos por governos civis, que se seguiram...

(*) Heitor Reis é um subversivo, indivíduo perigoso do ponto de vista dos milicos, de Gilmar Mendes e de qualquer um que esteja satisfeito com o atual sistema político, econômico e social. Artigos no Observatório da Imprensa: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/lista_autor.asp?cod=532JDB002&a_ano=2009&a_mes=12 Nenhum direito autoral reservado: Esquerdos autorais ("Copyleft"). Palestras gratuitas. Contatos: (31) 9208 2261 - heitorreis@gmail.com


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